Greve dos caminhoneiros impede o acesso de cargas ao Porto de Santos

Nos terminais de contêineres, as entradas e saídas de mercadorias foram prejudicadas, mas os embarques foram realizados.

Com os caminhoneiros do Porto de Santos de braços cruzados, seguindo o movimento nacional da categoria, não houve entradas e saídas de cargas nos terminais de contêineres durante todo o dia, nesta segunda-feira (1º). Agora, a preocupação é com a continuidade da greve, uma vez que as instalações portuárias estão embarcando apenas as mercadorias que já estavam armazenadas nos pátios, e a paralisação seguirá pelos próximos dias. O temor é de que a questão acentue ainda mais a falta de caixas metálicas.

Após diversos avisos e sem terem reivindicações atendidas desde 2018, os caminhoneiros decidiram parar por tempo indeterminado. Eles pedem a redução do preço do óleo diesel, a mudança do cálculo de cobrança dos combustíveis, além da aposentadoria especial após 25 anos de trabalho e o pagamento de um valor mínimo para o frete. Todas essas questões foram endereçadas ao Governo Federal, que não ofereceu solução além de um auxílio de R$ 400,00 para as despesas com o insumo.

Nesta segunda, os acessos ao Porto de Santos chegaram a ser bloqueados, mas houve dispersão após ação da polícia. Ainda pela manhã, os caminhoneiros mantiveram apenas a concentração na região da Alemoa, que é a única forma de chegar à Margem Direita do cais santista.

Conforme dados da Autoridade Portuária de Santos, cerca de 35 dos 43 navios atracados operaram sem restrições. “O restante tem sido afetado em maior ou menor grau em razão da cautela por parte de transportadoras e embarcadores no acesso ao Porto diante do temor de represálias”.

Segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Luciano Santos de Carvalho, o movimento será mantido nesta terça (2). “Vamos ficar até a negociação com o governo. O caminhoneiro está parando agora porque não consegue trabalhar mais. Se não puder reivindicar os direitos, não vai ter como trabalhar depois”.

De acordo com o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, esta é a preocupação. O motivo é a crise logística global, causada pela pandemia de covid-19, que reduziu a oferta de caixas metálicas no mercado.

“Como estamos enfrentando um desbalanceamento de equipamentos na hipótese dos contêineres vazios não puderem ser retirados ou devolvidos, já que ainda necessitam de inspeção para liberação para embarque, a tendência é desestabilizar toda a cadeia logística dos armadores e agentes que tentarão equacionar o problema da melhor forma possível”, afirmou o executivo do Sindamar.

Com a paralisação dos caminhoneiros, os terminais de contêineres do Porto de Santos registraram movimento fraco durante todo o dia. No entanto, isso não impediu o embarque e o desembarque das cargas, já que a maioria das atracações de navios não sofreu prejuízo.

Em nota, a Santos Brasil, responsável pela operação do Tecon, na Margem Esquerda (Guarujá), informou que as operações de carga e descarga aconteceram normalmente. Porém, apontou um movimento de entrada e de saída de caminhões abaixo do normal, nesta segunda.

O mesmo aconteceu na DP World Santos, que fica na Área Continental. A empresa apontou que o movimento foi mais fraco. Porém, não houve incidentes. A instalação portuária privada destaca que “está monitorando a manifestação dos motoristas de caminhões na região e não registra impactos no fluxo de suas atividades até o momento. O terminal espera que haja um rápido entendimento entre as partes de modo a prosseguir com a retomada econômica”.

Por outro lado, a Brasil Terminal Portuário (BTP), que fica na Alemoa, nas proximidades do local de concentração dos caminhoneiros, apontou que “suas operações estão ocorrendo dentro da normalidade”.

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